Anvisa revelou os três medicamentos mais vendidos no Brasil

16/03/2012

Uma pesquisa realizada pela Anvisa revelou os três medicamentos mais vendidos no Brasil. Os três são ansiolíticos - aqueles remédios que combatem a ansiedade. Mostrou também os estados onde eles são mais consumidos. No topo do ranking, uma surpresa.

O fim de um relacionamento deixou Adriana Cordeiro triste. “Passa um mês, passa dois, passa três, aí começa a prejudicar a sua vida social, sua relação com a família, com amigos, o trabalho”, contou a administradora de empresas Adriana Cordeiro.

Até que uma amiga lhe deu uma caixa do psicotrópico que tomava. Adeus tristeza. “Você começa a ficar numa tranquilidade, numa paz de interior, que nada te abala”.

Depois, com receita médica, o medicamento ajudou a jovem a parar de fumar. “Dá uma relaxada, uma desligada, então as pessoas acham que é muito fácil, muito simples, porque tomam e logo depois, começa a ficar numa boa”, afirmou a psiquiatra Vera Lemgruber.

O problema é que muitos não conseguem parar de tomar o remédio. Adriana ficou chocada com a reação que os remédios provocaram e parou com os psicotrópicos. “Só resolvi procurar um psiquiatra quando me falaram que esse medicamento viciava e eu não queria trocar um vício pelo outro”, lembrou Adriana.

Por razões parecidas com as de Adriana, milhões de brasileiros tornaram três ansiolíticos, ou tranquilizantes, os medicamentos mais vendidos do país.

Quem pensou que a maioria dos consumidores desses remédios vive em lugar de grande stress, como São Paulo ou Brasília, errou. O aspecto mais surpreendente da pesquisa é o lugar onde esses medicamentos contra a ansiedade e a tristeza são mais consumidos. Justamente, no ensolarado, alegre e bonito, Rio de Janeiro.

Na cidade que oferece tantos atrativos como esses, o número de psicotrópicos vendidos foi de 1,9 milhões de caixas. Atrás do Rio estão os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

A psiquiatra faz um alerta: ingerir psicotrópicos sem necessidade é altamente negativo em médio e longo prazo. “Com o uso contínuo, pode vir a ter a doença chamada Alzheimer, que é um quadro demencial. Sem ser tanto a longo prazo, a médio prazo, pode ter alterações de memória bastante específicas, que muitas vezes são irreversíveis”, ressaltou.

A psiquiatra defende a aceitação da ansiedade e das tristezas como fator de amadurecimento.

“A ansiedade é uma das emoções essenciais para o ser humano. A vida é uma série de circunstâncias que são vividas com um mínimo de stress. Se você não tiver stress, você não está vivendo, está em um suposto paraíso que não existe”, completou Vera.

Fonte: G1